No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto, é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras.
Celebra-se, a 1 de Julho, o Dia Mundial das Bibliotecas, data que pretende chamar a atenção para a importância da leitura na educação e formação das pessoas.
As Farmácias da Alma, como eram conhecidas noutros tempos, estão aí, e é caso para dizer-se que vêm em várias formas e feitios. Há-as pequenas, há-as magnificentes, outras são encantadoras, outras inesperadas, há as que são móveis, há as que têm os pés assentes no chão de edifícios esplendorosos. Todas elas são templos de conhecimento, registos da história e de histórias, prontas a acolher quem quer sempre saber mais.

"Walking Library", Londres, circa 1930s, VSW Soibelman Syndicate News Agency Archive via History in Pictures
Um pouco de história
Sabe-se que as primeiras bibliotecas surgiram no segundo milénio a.C. na Mesopotâmia, onde se encontraram acervos contendo tábuas de argila com escrita cuneiforme. Mais tarde, entre os séculos VII e VIII a.C, emergem as grandes bibliotecas da Antiguidade. A Biblioteca de Alexandria, talvez a mais conhecida, representa o auge desse período.
Já na Idade Média predominam as bibliotecas ligadas às ordens religiosas. Os grandes mosteiros possuíam um scriptorium — sala onde trabalhavam os monges copistas. Nestes casos, o acervo era fechado ao público em geral. Posteriormente, entreos séculos XIII e XV, o crescimento das universidades traz-nos as bibliotecas universitárias, criadas para atender os estudantes.E, só mais tarde, os homens letrados começam a revelar interesse em organizar os seus livros, originando, também, maior preocupação com a organização das colecções.
É no século XVII que as bibliotecas vão ganhando relevância pública e social, sendo então abertas ao público em geral. A partir do século XIX, com a crescente explosão bibliográfica, sente-se necessidade de remodelar o modo de classificação e catalogação, ainda mais acentuada nos dias de hoje, com o acesso às novas tecnologias de informação.
Alguns destaques
A primeira — Biblioteca de Nínive, erguida em Nínive, no Iraque, 700 anos a.C. é considerada a primeira biblioteca do mundo. Foi construída pelo rei Assurbanipal II, e guardava um acervo de 25 mil placas de argila com textos em cuneiforme. A cidade de Nínive foi destruída em 612 a.C.
A mais famosa — Biblioteca de Alexandria, talvez a mais conhecida na história, foi devastada por vários incêndios. Guardava cerca de 700 mil rolos de papiro e pergaminhos, e conservava as principais obras da antiguidade. Alexandria era a cidade cultural mais importante do Egipto entre os séculos III a.C. e IV d.C.
A mais antiga ainda existente — A antiga Biblioteca al-Qarawiyyin, em Fez, Marrocos, foi criada em 859 por Fatima al-Fihri e guarda manuscritos com mais de 12 séculos. Localiza-se no centro histórico de Fez e integra o complexo da Universidade Al Qarawiyyin fundada no mesmo ano.
A mais antiga portuguesa — A Biblioteca Joanina, da Universidade de Coimbra, começou a ser construída em 1717, tendo sido terminada em 1728. Conta com cerca de 60 mil volumes e é reconhecida como uma das mais originais bibliotecas barrocas europeias.
A maior — A Biblioteca do Congresso, em Washington, EUA, é considerada a maior do mundo, tanto pelo tamanho quanto pelo número de livros e materiais disponíveis no acervo. Foi inaugurada em 1800 e abriga 155 milhões de exemplares em mais de 400 idiomas.
Bibliotecas humanas — outras formas de leitura
Como poderemos nos entender, se não tivermos a oportunidade de conversar uns com os outros?
Ronni Abergel

Ronni Abergel é um dinamarquês que, há pouco mais de 20 anos, trouxe um conceito inovador — Bibliotecas Humanas. A primeira foi organizada em 2000 no Roskilde Festival. A ideia original foi desenvolvida por uma ONG dinamarquesa, a Stop the Violence, da qual Ronni Abergel foi co-fundador.
Mas, afinal, como funcionam estas bibliotecas?
Na Biblioteca Humana os livros são humanos; homens e mulheres com vivências marcadas por estereótipos, preconceitos e discriminação, são “requisitados” por leitores interessados em ouvir a sua história. Esta partilha permite uma reciprocidade de sentimentos, como empatia e tolerância, permitindo ao “livro humano” a possibilidade de superação da adversidade que a vida lhe possa ter trazido.
Reconhecida em 2003 pelo Conselho da Europa pelo seu carácter inovador, a Biblioteca Humana tem como objectivo primordial combater o preconceito, e tem vindo a crescer como movimento para a transformação social, promovendo o respeito pelos direitos humanos.
Termino com palavras de D. José Tolentino Mendonça, escritor, bibliotecário e arquivista da Santa Sé — Uma biblioteca é uma “farmácia da alma” e as palavras são “remédios” para a humanidade.
E vocês, são adeptos das bibliotecas? Quando visitaram a vossa pela última vez?
Fontes
Viviane Almeida e Maria João Hortas, Biblioteca Humana - Pessoas que são livros por uma diversidade humana
https://livrosefuxicos.com/2022/06/as-bibliotecas-mais-antigas-do-mundo.html
Fotografia biblioteca humana - Organización Bibliotecas Humanas

Alexandra Maria Duarte
A Cor das Palavras

Alexandra Maria Duarte
Albicastrense de gema, a rapariga das palavras sempre teve alguma dificuldade em dizê-las; gostava mais de as ler e de as escrever. De pequena adorava fazer ditados, porque nunca dava erros. Gostava de ver a história que alguém lhe contava, escrita no papel, com a sua pequena letra, certa e redondinha. Não imaginava, nessa altura, que algum dia poderia escrever histórias inventadas por ela mesma.
Começa a levar a escrita a sério quando começa a frequentar cursos de escrita criativa. Afinal a escrita não é tão fácil como parece e há muito para aprender.
Lança o seu primeiro conto não infantil — «Morte de Perdição» — em 2021, na colectânea Não vão os lobos voltar e no ano seguinte publica o primeiro conto infantil «Sarapinta Joaninha, quantas pintas pintas tu?» na colectânea Contos que contas tu.
Sendo ainda uma aprendiz, quer conhecer outros géneros narrativos e vai frequentando formações diversas: A Arte da Ficção, Escrita de Terror, Escrita de Thrillers, Escrita Jornalística, entre outras.
A par da escrita entende a importância fundamental da leitura. Como é costume dizer-se, o leitor não tem de ser escritor, mas o escritor tem de ser leitor.
Conta ter lido todos os seus livros quando chegar aos 99 anos. Vá, talvez aos 100.
É colaboradora na Revista Palavrar – Ler e escrever é resistir e é membro do Clube dos Writers, ambos nascidos na comunidade onde se iniciou na escrita em 2020. Faz parte da Equipa de redacção de A Casa do João - Revista de Literatura Infantil e Juvenil.



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