O Dia do Esperanto celebra-se a 26 de Julho, pois foi neste dia, em 1887, que foi lançado o primeiro livro sobre o esperanto, apresentando a pronúncia, as regras gramaticais e o vocabulário desta língua.
O que é e como nasceu?
O esperanto foi criado pelo oftalmologista polaco Ludwik Lejzer Zamenhof (1859-1917), para ser uma língua universal. Não pretendia, contudo, substituir outras línguas, mas funcionar ao lado delas, como uma língua simples, neutra e, consequentemente, justa para a comunicação entre nações.
Embora nenhum estado tenha a língua como oficial, o esperanto conseguiu, mesmo assim, alcançar o ensino oficial em países como a Hungria ou a China.
Na literatura, também, foi ganhando destaque, reconhecendo que através das obras traduzidas, nomeadamente clássicos, poderia chegar a um maior número de potenciais falantes.
Alguns clássicos traduzidos para Esperanto


La Aventuroj de Alicio en Mirlando (Alice no País das Maravilhas), Lewis Carroll
De Eta Princo (O Pequeno Príncipe), Antoine de Saint-Exupery
Doktoro Jekyll kaj Sinjoro Hyde (O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde), Robert Louis Stevenson
Robinsono Kruso (Robinson Crusoe), Daniel Defoe
La inĝenia kavaliro Don Kiĥoto el Manĉo - Donkiĥoto (Dom Quixote), Miguel de Cervantes
La proceso (O Processo), Franz Kafka
La Falo de Uŝero-Domo (A Queda da Casa de Usher), Edgar Allan Poe
Fabloj de Ezopo (Fábulas de Esopo), Esopo
Fabeloj de Andersen (Contos de Hans Christian Andersen), H. C. Andersen
La Aventuroj de Pinokjo (Pinóquio), Carlo Collodi
Hamleto, Reĝido de Danujo (Hamlet), William Shakespeare
Makbeto (Macbeth), William Shakespeare
O vocabulário
O vocabulário do esperanto deriva, maioritariamente, das línguas do ocidente da Europa, mas a sua sintaxe e morfologia mostram, também, influência eslava.

Os morfemas não se alteram e é possível combiná-los sem limites, criando palavras com significados diversos, como acontece em línguas como o chinês. Por outro lado, a estrutura interna do esperanto espelha, em certa medida, as línguas aglutinantes, como o japonês, suaíli ou turco.
UEA – Universala Esperanto-Asocio
A Associação Universal de Esperanto, que conta com membros em 120 países, foi fundada em 1908. É, actualmente, a maior organização internacional para aqueles que falam esperanto (uma comunidade internacional que parece chegar a cerca de dois milhões de falantes, englobando os vários níveis da língua).
A UEA tem como objectivos principais:
divulgar o uso do esperanto
facilitar a comunicação e relações internacionais
facilitar os relacionamentos espirituais e materiais de qualquer espécie entre os homens, apesar das diferenças de nacionalidade, raça, sexo, religião, política ou língua
incentivar, entre os seus membros, um sólido sentimento de solidariedade e desenvolver neles a compreensão e estima por outros povos
Esta organização também representa o movimento esperantista perante organismos internacionais como as Nações Unidas, UNESCO ou o Conselho da Europa.
Apenas uma boa intenção?
Há quem afirme que o esperanto se tornou a língua artificial mais falada no mundo. Mas terá conseguido realizar as ambições de quem a inventou? Foi além da sua comunidade? Ou revelou-se, afinal, um fracasso perdido entre boas intenções?
A língua teve o seu auge nos anos 70. Mas, apesar de possuir uma certa aura sedutora, o esperanto não conseguiu escapar às suas fragilidades. Não sendo a língua materna de ninguém, dificilmente consegue encontrar falantes fora da sua comunidade. Torna-se, assim, difícil manter o padrão, já que por vezes surgem palavras não oficiais, que acabam por ser difundidas como certas. As regras perdem-se. O linguista Gaston Dorren (Países-Baixos, n. 1965) acrescenda ainda que, não tendo um estado ou economia próprios, o esperanto acaba por não ter força para singrar. Em vez do esperanto como língua comum, fala-se antes o inglês.
E por aí, alguém gostaria de aprender umas palavras em esperanto?
Para terminar, o esperanto e a sétima arte

Loja com cartaz em esperanto no filme de Charlie Chaplin, «O Grande Ditador»
Fontes:
-Dorren, Gaston, A language spotter’s guide to Europe, Profile Books, Grã-Bretanha, 2014
-https://zamenhof.info/pt/esperanto
-https://www.infolivros.org/livros-pdf-gratis/idiomas/livros-em-esperanto/
Crédito de imagens:
-Alfabeto – https://commons.wikimedia.org/wiki/File:CARD_ALFABETO_DO_ESPERANTO.jpg, autor renato
-La eta princo - kanada esperanto-asocio
-Don Hihoto- Biblioteca Esperantista Internacional
-O Grande Ditador – wikipedia, via Gaston Dorren

Alexandra Maria Duarte
A Cor das Palavras

Alexandra Maria Duarte
Albicastrense de gema, a rapariga das palavras sempre teve alguma dificuldade em dizê-las; gostava mais de as ler e de as escrever. De pequena adorava fazer ditados, porque nunca dava erros. Gostava de ver a história que alguém lhe contava, escrita no papel, com a sua pequena letra, certa e redondinha. Não imaginava, nessa altura, que algum dia poderia escrever histórias inventadas por ela mesma.
Começa a levar a escrita a sério quando começa a frequentar cursos de escrita criativa. Afinal a escrita não é tão fácil como parece e há muito para aprender.
Lança o seu primeiro conto não infantil — «Morte de Perdição» — em 2021, na colectânea Não vão os lobos voltar e no ano seguinte publica o primeiro conto infantil «Sarapinta Joaninha, quantas pintas pintas tu?» na colectânea Contos que contas tu.
Sendo ainda uma aprendiz, quer conhecer outros géneros narrativos e vai frequentando formações diversas: A Arte da Ficção, Escrita de Terror, Escrita de Thrillers, Escrita Jornalística, entre outras.
A par da escrita entende a importância fundamental da leitura. Como é costume dizer-se, o leitor não tem de ser escritor, mas o escritor tem de ser leitor.
Conta ter lido todos os seus livros quando chegar aos 99 anos. Vá, talvez aos 100.
É colaboradora na Revista Palavrar – Ler e escrever é resistir e é membro do Clube dos Writers, ambos nascidos na comunidade onde se iniciou na escrita em 2020. Faz parte da Equipa de redacção de A Casa do João - Revista de Literatura Infantil e Juvenil.



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