As mangas arregaçadas deixavam a descoberto as nódoas negras e queimaduras de cigarros nos antebraços. Nada que impedisse o vigor com que a mãe batia a massa, libertando os aromas da canela e gengibre, delatores da época festiva.
— Mãe, acho que temos o suficiente. — O adolescente entrou na cozinha e apontou para o caixote que arrastava pelo chão.
Dirigiram-se, então, à sala e começaram a enfeitar o pinheiro. Do caixote, iam tirando pedaços de carne que furavam com um arame e dependuravam nos ramos. Um dedo, parte de um pé, algo que parecia ter sido uma panturrilha. O sangue ainda gotejava. Tanto melhor. Há lá cor mais natalícia do que o vermelho?
— E a cabeça? É pesada.
— O teu pai sempre foi cabeçudo. Põe debaixo da árvore, junto aos presentes.
Deram uns passos atrás. Observaram e sorriram.
— Filho, põe lá a máquina no tripé. Estamos prontos para a fotografia.
Microconto publicado em:
https://www.fabrica-do-terror.com/contos/fotografia-de-natal/

Alexandra Maria Duarte
A Cor das Palavras

Alexandra Maria Duarte
Albicastrense de gema, a rapariga das palavras sempre teve alguma dificuldade em dizê-las; gostava mais de as ler e de as escrever. De pequena adorava fazer ditados, porque nunca dava erros. Gostava de ver a história que alguém lhe contava, escrita no papel, com a sua pequena letra, certa e redondinha. Não imaginava, nessa altura, que algum dia poderia escrever histórias inventadas por ela mesma.
Começa a levar a escrita a sério quando começa a frequentar cursos de escrita criativa. Afinal a escrita não é tão fácil como parece e há muito para aprender.
Lança o seu primeiro conto não infantil — «Morte de Perdição» — em 2021, na colectânea Não vão os lobos voltar e no ano seguinte publica o primeiro conto infantil «Sarapinta Joaninha, quantas pintas pintas tu?» na colectânea Contos que contas tu.
Sendo ainda uma aprendiz, quer conhecer outros géneros narrativos e vai frequentando formações diversas: A Arte da Ficção, Escrita de Terror, Escrita de Thrillers, Escrita Jornalística, entre outras.
A par da escrita entende a importância fundamental da leitura. Como é costume dizer-se, o leitor não tem de ser escritor, mas o escritor tem de ser leitor.
Conta ter lido todos os seus livros quando chegar aos 99 anos. Vá, talvez aos 100.
É colaboradora na Revista Palavrar – Ler e escrever é resistir e é membro do Clube dos Writers, ambos nascidos na comunidade onde se iniciou na escrita em 2020. Faz parte da Equipa de redacção de A Casa do João - Revista de Literatura Infantil e Juvenil.



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